Reunião do grupo dos trabalhadores do CESE reafirma coesão e democracia interna
João Dias da Silva quarta-feira, novembro 04, 2015Relatório do CNE - Estado da Educação 2014
João Dias da Silva segunda-feira, outubro 19, 2015
Precisamos de sinais de mudança e de confiança
João Dias da Silva segunda-feira, julho 18, 2011O novo Ministério da Educação e Ciência vai realizar a primeira ronda de reuniões com as organizações sindicais. Trabalha hoje com a Fenprof e amanhã com a FNE, seguindo-se depois as outras mesas negociais.
É fundamental que destas primeiras reuniões saiam sinais de mudança e de confiança para os docentes e para as escolas. É preciso que se iniciem processos negociais que conduzam às mudanças que devem ser realizadas, umas mais urgentes do que outras. E um dos mais fortes sinais que se deseja e que por isso é mais urgente é obviamente é o que pode estar ligado à determinação de que se vão retirar os efeitos negativos do modelo de avaliação de desempenho imposto até agora, nomeadamente através da eliminação do seu impacto sobre a graduação profissional para efeitos de concurso. Mas também é preciso que fique claro que a partir de 1 de Setembro haverá novo enquadramento para a avaliação de desempenho dos docentes. Mas é preciso também que o Governo assuma que o regime de avaliação de desempenho no quadro do SIADAP, nomeadamente para os técnicos superiores, assistentes técnicos e assistentes operacionais precisa de ser simplificado e melhorado.
É certo que na primeira linha deste Governo, como de todos os responsáveis pela área da Educação no nosso país, o que é central é promover mais sucesso escolar e diminuir o abandono escolar.
Mas também não se pode esquecer que, mesmo em tempo de crise, a aposta na educação e formação é estratégica e que o que hoje se deixar por fazer vai ter consequências negativas no futuro. Por isso é preciso ser cuidadoso nos cortes que se fazem, na identificação daquilo que se elimina, para que as medidas adotadas não tenham piores consequências no futuro.
Este esforço de promoção do sucesso e de combate ao abandono exige a valorização dos profissionais da educação.
Em relação aos docentes, impõe-se o reconhecimento da componente de trabalho com os alunos como essencial e prioritária, com consequente libertação de tudo o que são tarefas administrativas inúteis.
Em relação aos técnicos superiores, assistentes técnicos e assistentes operacionais que trabalham na educação, é fundamental reconhecer a especificidade das exigências que se lhes levantam, claramente diferentes das de outros trabalhadores com a mesma categoria mas a trabalharem em serviços diferentes.
FORÇAR O SUCESSO ESCOLAR
João Dias da Silva terça-feira, agosto 25, 2009As estatísticas que o Ministério da Educação lançou ontem com grande alarido provocaram múltiplas reacções de muitas pessoas e organizações.
Ainda bem que assim é, porque isto significa que as questões do sucesso escolar dos alunos que frequentam as nossas escolas preocupam toda a gente. E, tal como acontece no futebol, não faltam "treinadores de bancada" a opinarem sobre o que se fez, o que se faz e o que há para fazer. Também não é por aí que vem mal ao mundo.
O que é preciso desmontar é a referência ao facilitismo que em muitas intervenções vem logo ao de cima. E que, aliás, logo o Governo aproveitou para dizer que falar em facilitismo é uma ofensa aos professores, derivando para estes a responsabilidade que afinal cabe também a quem constrói os normativos sobre estas matérias, e que é precisamente cada governo em funções.
É preciso que se evidencie que quando alguns falamos de facilitismo não estamos a dizer que os professores são menos exigentes ou rigorosos. O que estamos a denunciar é que as regras, os normativos e os procedimentos administrativos que estão ligados à determinação de uma retenção são de tal forma pesados e tantas vezes sem consequências que os seus efeitos são praticamente nulos. Propor aulas de apoio para alunos com dificuldades, em escolas que não têm crédito horário suficiente para dar resposta a todas as solicitações, é uma pura perda de tempo.
O que se provoca através desta teia administrativa que dificulta a retenção ou a reprovação é uma forma barata de forçar o sucesso.
Porque promover mesmo o sucesso sai caro, custa dinheiro, porque exige recursos humanos e materiais suplementares, em favor dos que revelam dificuldades de aprendizagem. E para isto é preciso que as escolam tenham mesmo autonomia; é preciso que as escolas possam gerir recursos humanos; é preciso que as escolas tenham espaços, equipamentos e verbas para materiais desgastáveis.
É preciso que, mal se revelem dificuldades, os alunos sejam apoiados, sem se estar à espera do final do ano lectivo para se verificar o que de há muito já se sabia, mas que não houve condições para ultrapassar. E isto porque o número de turmas e o número de alunos por turma atribuídos a cada professor não permite a cada um, exclusivamente no espaço e no tempo de sala de aula, apoiar cada um dos alunos com dificuldades.
Assim, o que é preciso é forçar o sucesso escolar mesmo, a sério, com exigência, com rigor, com recursos.
ESTATÍSTICAS E SUCESSO REAL
João Dias da Silva segunda-feira, agosto 24, 2009O Ministério da Educação acaba de divulgar números sobre o sucesso escolar, no final do ano lectivo de 2008/2009.
Fica-lhe bem divulgar resultados.
Não lhe fica bem é querer "sugerir" que repentinamente, e por acção das medidas deste Governo, o insucesso reduziu para metade.
É certo que o insucesso reduziu para metade, mas é preciso começar a contar de há 10 anos a esta parte.
É preciso dizer que estes resultados (desde há 10 anos até hoje) são o efeito de outras medidas que outros governos lançaram.
É preciso dizer que os pais destes alunos que agora terminam o 9º ano com 14 e 15 anos, nasceram pouco antes ou pouco depois do "25 de Abril" e que foi esta realidade que nos deu a escola para todos e que a obrigação de completar o 9º ano de escolaridade é contemporânea deste crescimento do nosso sucesso escolar.
É, assim, abusivo que este governo se apresse a apropriar-se do que não é seu.
Mas estes resultados também não nos permitem "embandeirar em arco". Ainda estamos longe das metas que nos estão impostas pela própria União Europeia.
Ainda falta fazer uma análise mais fina destes resultados: este crescimento do sucesso é genérico e abrange do mesmo modo, todos? Está garantido que estes resultados reforçam a coesão social e a equidade? Ou será que os menos protegidos continuam a ter maus resultados?
Assim, é preciso consolidar medidas que sejam acertadas; é preciso lançar novas nedidas que façam com que todos tenham acesso ao sucesso.
É preciso que melhores resultados escolares estatísticos correspondam a efectiva melhor preparação, melhor domínio de conhecimentos e competências para prosseguir estudos e para integrar o mercado de trabalho, quando for o caso.
As estatísticas nuas podem servir campanhas eleitorais, mas devem provocar as nossas exigências.
VIOLÊNCIA ESCOLAR PREOCUPA ALGUNS MINISTROS EUROPEUS
João Dias da Silva domingo, março 15, 2009A este propósito, convém lembrar que, em Portugal, o relatório nacional de segurança de 2008 continua à espera dos contributos do Ministério da Educação acerca dos incidentes tratados pelo Programa Escola Segura, ao contrário do que aconteceu relativamente a 2007, em que o próprio Ministério se apressou a divulgar os respectivos resultados, na sequência de uma intervenção para "corrigir" os critérios que serviam de base à elaboração dos relatórios anuais.
ESCOLA A TEMPO INTEIRO E BOM SENSO
João Dias da Silva sábado, março 14, 2009TIC, MAGALHÃES E REALIDADE
João Dias da SilvaO "Expresso" de hoje publica um artigo de Joana Pereira Bastos que tem o título "Escolas não usam o "Magalhães".
O Francismata (twitter) escrevia hoje também que os professores cometerão um erro estratégico se não forem líderes no acesso às TIC.
Ora aqui está uma questão que merece ser discutida.
No "Expresso", acrescenta-se que "Segundo um estudo da OCDE, divulgado em 2006, os estudantes do 3º ciclo que usam o computador com frequência há vários anos tendem a alcançar melhores notas a Matemática do que os colegas sem grande experiência no uso destes aparelhos." Mas acrescenta, em abono da verdade, que "Precisamente o contrário conclui uma investigação realizada em 2005 pela Universidade de Munique, segundo a qual a existência de computadores em casa está negativamente associada ao desempenho dos alunos".
Há por aí algums milhares de "Magalhâes" distribuídos; menos de metade daqueles que já deveriam ter sido entregues. Alguns, eventualmente, já estão vendidos em segundas ou terceiras mãos, porque isto de ter um ou dois irmãos, a receberem todos computadores nas escolas, faz com que uma das máquinas possa ser dispensada, até porque ajuda a um pequeno acréscimo orçamental.
Por outro lado, impõe-se que se diga que dar uma aula ou uma sequência de aulas com o computador como instrumento de trabalho exige estudo, formação, experimentação, ensaio. Não é de um dia para o outro que toda uma experiência de aulas conduzidas com apoio dos manuais escolares, do giz e do quadro, passa para a imediata utilização com sucesso das novas tecnologias.
Isto já para não falar de turmas em que só alguns dos alunos têm computador portátil ou em que as salas de aula só têm uma tomada (e funcionará?).
É pena que o nome do aventureiro Magalhães esteja associado a uma aventura que não se aceita quando o que está em jogo é a preparação consistente dos nossos jovens em termos educativos.
Sem pôr em causa que as novas tecnologias são a ferramenta a que nos temos de habituar; sem esquecer que as crianças e os jovens têm uma disponibilidade enorme para a utilização rápida destas máquinas, a verdade é que o bom senso exige que se seja cauteloso e que os passos que se derem nesta área sejam seguros.
